Incendiall
Entrevista por Wladimyr Cruz em 24/05/2012
O Incendiall é um dos nomes desta nova onda hardcore que vem tomando o cenário independente desde o ano passado. Vindos do RJ, o grupo -ao lado do Plastic Fire- é um dos que participam ativamente da cena local e estão dos dois lados do jogo, tocando e organizando gigs. Confira um papo sobre a banda e sobre a cena carioca com o vocalista do grupo, Thiaguinho.
Thiaguinho, vamos começar falando do disco que o Incendiall lançou agora. Como está a resposta do público? Por que as músicas saíram juntas e não como singles - como a maioria vem fazendo? É algum conceito fechado? O que o Incendiall vem a dizer neste disco?A resposta do público não poderia ser melhor. Temos pouco mais de dois meses de estrada e já rodamos bem o estado do Rio, tocando com bandas que adoramos como Dead Fish, Colligere, Plastic Fire, Zander e outras que até ontem, assistíamos apenas como público. Sobre a questão das músicas, lançamos 8 faixas logo de cara (o cd saiu pelos selos Manifesto Discos e Parayba Records), num CD que intitulamos Sobre Status, cartões e cheques. Tínhamos mais de 15 músicas prontas feitas no tempo em que éramos uma banda apenas de ensaio entre amigos, portanto um single era dificil pra gente, pois escolher uma música não mostraria nossa proposta como um todo, que era diversificar o som dentro do que a gente curte. Conceito tem sim, o conceito é o de observação de nossas vidas, nosso momento. Escrevi sobre tudo que nos rodeia, os assuntos, os dramas, as alegrias, ou seja sobre o dia dia. A nossa idéia era dizer entre outras coisas, que devemos dar mais valor a algumas coisas que hoje nos parecem tão comuns, e que na vida muitas vezes você vai se ver dividido entre ganhar mais grana ou viver com prazer. E aí talvez seja necessário escolher entre ter carro do ano ou simplesmente passar a noite num bar rindo com seus amigos.
Antes do Incendiall, você participou do Colegial, certo? Como foi a transição de uma banda para outra? Por que terminar um projeto e começar outro? Em que ponto ouve a mudança de querer fazer outro som, algo mais hardcore e deixar de lado as inclinações screamo/metalcore?
O nome Incendiall vem da junção do nome de duas bandas antigas que alguns de nós tocavamos Colegial e Enciende. Cara, o Colegial foi praticamente nossa primeira banda (eu, cyro e abner) rodamos alguns estados, fizemos muitos amigos. Fomos umas das primeiras bandas de screamo do RJ e foi ótima aquela época, resolvemos parar pois a gente já queria mudar o som meio que radicalmente e não seria justo com a história do Colegial, simplesmente manter o nome e lançar outro caminho foi um acordo entre todos no momento, em que o Colegial deveria parar ali. O que acabou sendo legal deu tempo pra alguns de nos tocar outras bandas que tinhamos como Transdid e Stellaurora. A mudança aconteceu dentro desses pouco mais de dois anos que fiquei sem banda com o fim do Colegial, eu organizava shows pelo RJ e nessa Época o Zander tava começando (por coincidencia tinha organizado o último show do Noção de Nada). Daí resolvemos fazer o show deles no subúrbio do RJ e foi insano. Dois dias depois chega um E-mail do Bil (vocal da Zander) me chamando pra ser produtor deles. Pô nunca tinha trabalhado com isso mas achei maneiro pra caralho (pode escerever isso?) o convite do cara e caí na estrada por um ano em todo o Brasil com eles.
Dois anos depois, aos ver os meninos do Zander mandando brasa, eu tive certeza de que deveria reunir meus amigos de novo e cair na estrada, mas a gente precisava engrossar esse coro, falar o que ainda não haviamos falado, ir onde ainda não tinhamos ido. Seria bem mais cômodo ficar de segunda a sexta virando noites pra ter aumento nos nossos trabalhos, mas o fácil nunca foi nossa escolha prioritária.
O hardcore/punk carioca sempre teve grandes virgulas, enormes dificuldades, com espaços, selos etc. Como andam as coisas por ai hoje? Parece que tem toda uma turma em torno do estúdio Superfuzz que é quem está tendo um maior destaque, é isso?Rapaz, o RJ anda melhorando, se eu falar que tá lindão vou tá mentindo, hehehehe mas a verdade é que acho que vivemos a melhor fase dos últimos 7/8 anos. Produtores tentandor ser mais sérios, bandas mais profissionais e melhor ainda, bandas produzindo coisas profissionais a nível de evento eles mesmos. Aqui no RJ a galera resolveu sair do sofá. O discurso que por tantos anos foi bonito, agora tá virando ação. Acho que o Superfuzz seja um dos maiores pontos de concentração dessas mudanças, mas a verdade é que ela tá no ar. Você consegue respirar isso nos shows.
O Superfuzz talvez por ser hoje uma referência de qualidade de gravação e de boas risadas entre amigos, acaba sendo essa vitrine pro resto do país, como um polo de banda novas e antigas todas muito bem produzidas e mandando discaços um atrás do outro. É foda você vê o Zander, Autoramas, Plastic Fire, Confronto, gravando por lá e pensa caralho eu só tô aqui de passagem, mas na boa nem acontece. Todo mundo se conhece, tá conectado e se ajuda. Po, é foda ver quem você admira e já foi muito nos shows elogiando seu CD. Superfuzz é isso: nossa casa, quando estamos fora de casa.
Acredita que hoje, após a onda do "emocore", do colorido, a bola da vez é a volta do hardcore? A nova safra de bandas de hc - em sua maioria melódicas - reflete em vocês? Ajuda?
Sei lá, quero ser bola da vez de nada não, quero pedir voto pra ganhar nada não. A gente quer conhecer gente de bem, energia pura. Ir o mais longe que puderem levar a gente de nossas casas. Se isso tudo levar a um lugar melhor, beleza. Se não levar, beleza em dobro. A gente não tá aqui se fudendo de correr atrás pra virar moda. A gente quer é quem sabe uma hora, algum dia conseguir colocar algo de bom na caixola de alguém, de algum amigo e ponto. Agora, sobre a safra nova tem nem o que falar: qualidade altíssima. Bullet Bane, Chuva Negra, Plastic Fire, entre muitas outras, certamente servem como incentivo e comparação pra gente que pretende o mais breve possível dividir o palco com todos eles. E com quem mais tiver afim de fazer o rock acontecer.
Uma banda, sem aspirações pop como o Incendiall, tem como objetivo final o quê? Lançou-se um disco, fez shows, e agora? Hobbie? Necessidade?O objetivo final é viver intensamente. Lançamos o disco, já fizemos alguns shows muito irados. Acabamos de gravar um clipe que mais pra frente vai ao ar. Agora tamos dando um up no nosso merchan e montando uma agenda de shows que permita a gente levar a banda muito mais a sério do que simplesmente um Hobbie (somos publicitários, bancários e mecânicos em dias comuns), ir ao maior números de estados nesse segundo semestre é prioridade em nossas vidas.
Quais os próximos passos do Incendiall? Planos, projetos?
O foco agora é dar um gás no clipe que acabamos de gravar e ter que editar, animar e tudo mais. E depois, é cair na estrada, rodar o máximo de estados e depois ver músicas novas. Mas pra tudo isso rolar legal tem que cada vez mais pessoas como você e o Wlad abrirem espaço pras bandas que tão afim de fazer algo sério e sincero. Tem que também a galera ir lá no www.tramavirtual.com.br/incendiall, baixar o CD que tá lá completo pra download, colar no show e ir trocar idéia com a gente. E se possivel comprar camisa e o CD porque ninguém aqui é rico e precisamos pagar a passagem de volta. ;)
fotos por Fernando Valle






















