Greg Ginn, Rei dos Profanadores de Guitarras, é notável por sua criatividade, hiperatividade e compulsão por trabalho. A evolução gradativa no som do Black Flag aconteceu no ritmo dele. Com o passar dos anos, na era pós-Damaged, a banda foi tomando rumos mais truncados, incompreensíveis para alguns fãs, que ficaram no meio do caminho. A influência da dinâmica calculista do jazz foi ficando mais evidente, e o Flag foi pendendo mais para o lado do Sabbath do que para o lado dos Ramones. Claro, isso à própria maneira do maestro Ginn. A convivência entre os integrantes tornou-se exaustiva, já estava até saturada, e levou-os a uma rota de colisão inevitável. Em outubro de 1985, a SST lançou a saideira do Black Flag em estúdio, In My Head.
Neste álbum-despedida, encontramos um apanhado do que melhor define o grupo: guitarras arrotantes, densidade, solos com um bacanal de notas feias e bends inconvenientes. Os riffs nervosos, de um hard rock de skatista de bueiro, distanciam ainda mais a banda de seus primórdios de tosqueira hardcore. Estão mais técnicos do que nunca! A performance do trovador Henry Rollins é boa o bastante: ele canta letras psicóticas bem tramadas no seu estilo meio rap, nem muito exagerado, nem tão apagado. Não está em sua melhor forma, mas mostra que sente um feeling verdadeiro ao tocar com os caras. No ar, trevas, loucura e niilismo: apesar de Ginn criticar Rollins publicamente por vetar letras bem humoradas, acho a atmosfera do play bastante pertinente. Essa lírica obscura, não-política, dramática e demente tem tudo a ver com o Flag! E a cozinha? Bom, a cozinha é legal, mas é só uma cozinha punk... normal. Vamos para o quarto!
"Paralyzed" dá o pontapé inicial com força. Rollins está sendo exorcizado lá no fundo: Yeeeaaaaaaaaaaahhhh! Depois entra a guitarra, e que riff do caralho é esse? Parece de outro mundo! Tão bom quanto empolgante; "In My Head" trata de paranoia e insânia. É a música mais emblemática do álbum; "Out of This World" - presente na reedição em CD - foi escrita por Roessler/Stevenson, e fala sobre estar alienado e conformado, vivendo na inércia, atuando para sobreviver e esquecendo-se de sentimentos verdadeiros. Esquecendo-se de si mesmo; "I Can See You" tem quase que uma inocência infantil, ao mesmo tempo em que consegue mostrar-se tão perversa; "Drinking and Driving" é acima da média, uma festa para órfãos do Damaged (1981); "Societys Tease" soa como o Flag querendo inventar o 'crossover' antes dos Dirty Rotten Imbeciles. Aliás, vejo um elo comum entre os vocais de Kurt Thrash Brecht e os de Henry Rollins nessa fase terminal. Nessa fase meio metal.
In My Head dá vontade de alucinar. Ouvi-lo chapado pode ser bom, porque faz tudo parecer ainda mais incrível. Sabe quando a percepção torna-se mais aguçada para detalhes mais profundos, que pareciam ocultos à primeira vista? Farrapos transformam-se em roupas de luxo. Eis o conceito. Mas quem disse que o Flag precisa ser mais incrível do que é? Queria que eles estivessem gravando álbuns até os dias de hoje... Quando pararam, estavam ótimos: maduros e prolíficos. Deixaram uma lacuna impreenchível. Encheram a cabeça dos músicos da nova geração de boas ideias. Ainda que este não esteja entre os melhores da discografia, é uma obra linda como só o Black Flag poderia ter feito. O Black Flag ampli(fic)ou nossos horizontes.
Neste álbum-despedida, encontramos um apanhado do que melhor define o grupo: guitarras arrotantes, densidade, solos com um bacanal de notas feias e bends inconvenientes. Os riffs nervosos, de um hard rock de skatista de bueiro, distanciam ainda mais a banda de seus primórdios de tosqueira hardcore. Estão mais técnicos do que nunca! A performance do trovador Henry Rollins é boa o bastante: ele canta letras psicóticas bem tramadas no seu estilo meio rap, nem muito exagerado, nem tão apagado. Não está em sua melhor forma, mas mostra que sente um feeling verdadeiro ao tocar com os caras. No ar, trevas, loucura e niilismo: apesar de Ginn criticar Rollins publicamente por vetar letras bem humoradas, acho a atmosfera do play bastante pertinente. Essa lírica obscura, não-política, dramática e demente tem tudo a ver com o Flag! E a cozinha? Bom, a cozinha é legal, mas é só uma cozinha punk... normal. Vamos para o quarto!
"Paralyzed" dá o pontapé inicial com força. Rollins está sendo exorcizado lá no fundo: Yeeeaaaaaaaaaaahhhh! Depois entra a guitarra, e que riff do caralho é esse? Parece de outro mundo! Tão bom quanto empolgante; "In My Head" trata de paranoia e insânia. É a música mais emblemática do álbum; "Out of This World" - presente na reedição em CD - foi escrita por Roessler/Stevenson, e fala sobre estar alienado e conformado, vivendo na inércia, atuando para sobreviver e esquecendo-se de sentimentos verdadeiros. Esquecendo-se de si mesmo; "I Can See You" tem quase que uma inocência infantil, ao mesmo tempo em que consegue mostrar-se tão perversa; "Drinking and Driving" é acima da média, uma festa para órfãos do Damaged (1981); "Societys Tease" soa como o Flag querendo inventar o 'crossover' antes dos Dirty Rotten Imbeciles. Aliás, vejo um elo comum entre os vocais de Kurt Thrash Brecht e os de Henry Rollins nessa fase terminal. Nessa fase meio metal.
In My Head dá vontade de alucinar. Ouvi-lo chapado pode ser bom, porque faz tudo parecer ainda mais incrível. Sabe quando a percepção torna-se mais aguçada para detalhes mais profundos, que pareciam ocultos à primeira vista? Farrapos transformam-se em roupas de luxo. Eis o conceito. Mas quem disse que o Flag precisa ser mais incrível do que é? Queria que eles estivessem gravando álbuns até os dias de hoje... Quando pararam, estavam ótimos: maduros e prolíficos. Deixaram uma lacuna impreenchível. Encheram a cabeça dos músicos da nova geração de boas ideias. Ainda que este não esteja entre os melhores da discografia, é uma obra linda como só o Black Flag poderia ter feito. O Black Flag ampli(fic)ou nossos horizontes.
Enviado por André Honey em 06/04/2012 (Sexta-feira), 13:53
Outras resenhas deste artista:
- Black Flag - Damaged (1981)
- Black Flag - Slip It In (1984)
- Black Flag - My War (1984)






















