Quando o rock romântico feio-bonito do Beat Happening encontrou o grunge embrionário do Screaming Trees, o coito foi inevitável, e o filho nasceu superior a qualquer álbum da discografia de ambas as bandas. Tudo bem que os dois exerceram fortíssima influência no rock alternativo dos anos 90, com álbuns como Beat Happening (Beat Happening, 1985) e Clairvoyance (Screaming Trees, 1986), mas a intimidade entre os integrantes mostrou-se o grande trunfo para fazer desta fusão algo mais poderoso do que suas partes isoladas.
O Beat Hap ganhou, além de um baixo, guitarradas mais pesadas e dissonantes, que adicionam à sua sonoridade um clima espacial. As Árvores Gritantes, por sua vez, foram abençoadas com as melodias sinceras e grudentas de Calvin Johnson e sua trupe. Este supergrupo underground esbanja sintonia do início ao fim: o inconfundível vocal pueril de Heather Lewis é guiado por um riff envenenado por fuzz em "Sea Babies"; Calvin canta "Tales of Brave Aphrodite" em tom confessional com sua voz marcante, sob uma atmosfera nublada e rodeada por sutis arranjos de órgãos; "Polly Pereguin" - a canção pop da década de 80 favorita de Kurt Cobain - é cantada pelo Tree Mark Lanegan, que depois cede o microfone a Calvin uma vez mais em "I Dig You", com uma letra obscura de amor suplantador.
Apesar de o EP não dar créditos específicos a um ou outro, podemos conjecturar que a parte lírica e vocal é, em sua maior parte, de autoria do Beat Happening (principalmente pela temática recorrente do amor e pelo despretensiosismo de tons, de quem canta mundo afora da mesma forma que sozinho em casa), enquanto que o instrumental sônico fodido, denso, de escola SST, é bem característico de Screaming Trees. Pela amizade entre os envolvidos, suponho que todos tenham participado um pouco de todos os setores do processo criativo, mas o título 'Screaming Trees/Beat Happening' soaria mais ideal. Na verdade, pouco importa... legal que a ordem não faça a mínima diferença.
Este play é uma jóia preciosa, rara e subvalorizada, recomendada principalmente para quem não conhece nem uma banda, nem outra. É uma boa oportunidade pra matar dois coelhos com um tiro só (hoje em dia isso soa tão antiético) e de quebra conhecer influências cronológica, geográfica e musicalmente muito próximas de Cobain. Aliás, não só o Nirvana, mas também Alice in Chains, Sonic Youth e Pixies obviamente tomaram um pouco dessas águas. Just like Polly Pereguin. Não gosto de ficar citando o cara toda hora, mas se tem uma coisa que Kurt tinha, era um puta de um bom gosto.
O Beat Hap ganhou, além de um baixo, guitarradas mais pesadas e dissonantes, que adicionam à sua sonoridade um clima espacial. As Árvores Gritantes, por sua vez, foram abençoadas com as melodias sinceras e grudentas de Calvin Johnson e sua trupe. Este supergrupo underground esbanja sintonia do início ao fim: o inconfundível vocal pueril de Heather Lewis é guiado por um riff envenenado por fuzz em "Sea Babies"; Calvin canta "Tales of Brave Aphrodite" em tom confessional com sua voz marcante, sob uma atmosfera nublada e rodeada por sutis arranjos de órgãos; "Polly Pereguin" - a canção pop da década de 80 favorita de Kurt Cobain - é cantada pelo Tree Mark Lanegan, que depois cede o microfone a Calvin uma vez mais em "I Dig You", com uma letra obscura de amor suplantador.
Apesar de o EP não dar créditos específicos a um ou outro, podemos conjecturar que a parte lírica e vocal é, em sua maior parte, de autoria do Beat Happening (principalmente pela temática recorrente do amor e pelo despretensiosismo de tons, de quem canta mundo afora da mesma forma que sozinho em casa), enquanto que o instrumental sônico fodido, denso, de escola SST, é bem característico de Screaming Trees. Pela amizade entre os envolvidos, suponho que todos tenham participado um pouco de todos os setores do processo criativo, mas o título 'Screaming Trees/Beat Happening' soaria mais ideal. Na verdade, pouco importa... legal que a ordem não faça a mínima diferença.
Este play é uma jóia preciosa, rara e subvalorizada, recomendada principalmente para quem não conhece nem uma banda, nem outra. É uma boa oportunidade pra matar dois coelhos com um tiro só (hoje em dia isso soa tão antiético) e de quebra conhecer influências cronológica, geográfica e musicalmente muito próximas de Cobain. Aliás, não só o Nirvana, mas também Alice in Chains, Sonic Youth e Pixies obviamente tomaram um pouco dessas águas. Just like Polly Pereguin. Não gosto de ficar citando o cara toda hora, mas se tem uma coisa que Kurt tinha, era um puta de um bom gosto.
Enviado por André Honey em 22/04/2012 (Domingo), 07:58
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