Billy Corgan é, e sempre foi, o Smashing Pumpkins. A coisa anda da forma que ele andar. Se ele está bem, o disco é "do bem". Se ele está perturbado, é perturbado (Siamese Dream). Triste, vem triste também (Adore). E agora Corgan está livre, sem amarras, sem dever nada a ninguém. Já fez seu disco de comeback (Zeitgeist), pesado e denso, de tons vermelhos como a capa. Suavisou e experimentou com as primeiras faixas do projeto Teargarden By Kaleydoscope (ambicioso projeto que pretende unir 44 faixas, das quais este "Oceania" faz parte), e agora volta ao básico.
É claro, o Corgan da época do "Gish" não existe mais, mas como o próprio afirmou em entrevista, o espirito é o mesmo. E realmente é. Não existe auto-referência, aqui o Smashing Pumpkins (Corgan) olhou mais pra trás, enxergou suas influências e fez um disco pautado em cima delas. É fácil encontrar traços de Pink Floyd ("Dark Side Of The Moon" principalmente, nas métricas), Alice Cooper (fase 70s), Rush, Black Sabbath e David Bowie fase Ziggy Stardust. Back to Basics, sabe como?
Em "Oceania" as canções são simples, longe do tom rebuscado de outrora. É tudo "na cara", e as vezes com bastante teclados e cheio de riffs de guitarra. As músicas pesadas são bem pesadas, as psicodélicas são viajantes, e as baladas, doces e climáticas como devem ser.
"Quasar" abre o álbum, seguindo a lógica de opener tracks como "Cherub Rock", "Where Boys Fear To Tread" e "Doomsday Clock". Nervosa, pesando uma tonelada, Corgan invoca Deus berrando "Yod He Vau He Om" em um quase mantra heavy metal e abre espaço para "Panopticon", mais um som pesado de letras contemplativa/espiritual que abre com o verso "Rise! Love is here". "The Celestials" derrama camadas grossas de teclado e uma doce declaração de amor: "Im gonna love you 101 percent / Im gonna love you til this ends", e é seguida pelos teclados progressivos de "Violet Rays" e pela radiofônica "My Love Is Winter", faixa com mais jeitão de single do álbum. "One Diamond, One Heart" tem letra pueril, ingênua love song, mas de instrumental totalmente guiado por teclados, inclusive com uma das mais belas melodias do disco. "Pinwheels" segue com o trabalho de teclados e muita psicodelia, tanto musical quanto lírica, faixa que o duo Waters e Gilmour poderiam usar como b-side na década de 1970.
A faixa título, de instrumental espacial e longa duração (9:07 minutos), foca-se mais na letra, e deixa a curiosa frase "My mistake as the last remaining soldier". Estaria Billy falando sobre sua posição em frente a banda que vem carregando sozinho nas costas desde 2000? Acredito que sim. "Pale Horse" e "The Chimera" talvez sejam as faixas que mais lembram outros momentos da banda, no caso da primeira a época melancólica e rebuscada de "Adore", e a segunda os riffs e o jeito de cantar de "Siamese Dream".
"Glissandra" e "Inkless" são faixas de guitarra, de riffs, a típica faixa dos Pumpkins, quase um filler, se não fossem ainda assim acima da média. Guitarras, teclados e harmonias vocais que encontram melodia e refrões em meio a distorção. Para fechar o disco, "Wildflower", mais um "mantra", como na abertura, mas este de contornos épicos e grandiosos, com direito a repetições vocais, cordas e aquele clima de calma e conforto que somente camadas de teclados conseguem fazer.
"Oceania" é um disco iluminado, de muita espiritualidade e cheio de mensagens -algumas explicitas, outras nem tanto- , criado por um músico genial que hoje em dia tem a liberdade de fazer o que quiser. Não digo liberdade apenas artística perante mercado, isso ele sempre teve, mas sim liberdade sobre sua banda, seu público e sobre seu pensamento.
Por enquanto, a cereja do bolo "Teargarden By Kaleydoscope", e pra mim, o disco do ano.
É claro, o Corgan da época do "Gish" não existe mais, mas como o próprio afirmou em entrevista, o espirito é o mesmo. E realmente é. Não existe auto-referência, aqui o Smashing Pumpkins (Corgan) olhou mais pra trás, enxergou suas influências e fez um disco pautado em cima delas. É fácil encontrar traços de Pink Floyd ("Dark Side Of The Moon" principalmente, nas métricas), Alice Cooper (fase 70s), Rush, Black Sabbath e David Bowie fase Ziggy Stardust. Back to Basics, sabe como?
Em "Oceania" as canções são simples, longe do tom rebuscado de outrora. É tudo "na cara", e as vezes com bastante teclados e cheio de riffs de guitarra. As músicas pesadas são bem pesadas, as psicodélicas são viajantes, e as baladas, doces e climáticas como devem ser.
"Quasar" abre o álbum, seguindo a lógica de opener tracks como "Cherub Rock", "Where Boys Fear To Tread" e "Doomsday Clock". Nervosa, pesando uma tonelada, Corgan invoca Deus berrando "Yod He Vau He Om" em um quase mantra heavy metal e abre espaço para "Panopticon", mais um som pesado de letras contemplativa/espiritual que abre com o verso "Rise! Love is here". "The Celestials" derrama camadas grossas de teclado e uma doce declaração de amor: "Im gonna love you 101 percent / Im gonna love you til this ends", e é seguida pelos teclados progressivos de "Violet Rays" e pela radiofônica "My Love Is Winter", faixa com mais jeitão de single do álbum. "One Diamond, One Heart" tem letra pueril, ingênua love song, mas de instrumental totalmente guiado por teclados, inclusive com uma das mais belas melodias do disco. "Pinwheels" segue com o trabalho de teclados e muita psicodelia, tanto musical quanto lírica, faixa que o duo Waters e Gilmour poderiam usar como b-side na década de 1970.
A faixa título, de instrumental espacial e longa duração (9:07 minutos), foca-se mais na letra, e deixa a curiosa frase "My mistake as the last remaining soldier". Estaria Billy falando sobre sua posição em frente a banda que vem carregando sozinho nas costas desde 2000? Acredito que sim. "Pale Horse" e "The Chimera" talvez sejam as faixas que mais lembram outros momentos da banda, no caso da primeira a época melancólica e rebuscada de "Adore", e a segunda os riffs e o jeito de cantar de "Siamese Dream".
"Glissandra" e "Inkless" são faixas de guitarra, de riffs, a típica faixa dos Pumpkins, quase um filler, se não fossem ainda assim acima da média. Guitarras, teclados e harmonias vocais que encontram melodia e refrões em meio a distorção. Para fechar o disco, "Wildflower", mais um "mantra", como na abertura, mas este de contornos épicos e grandiosos, com direito a repetições vocais, cordas e aquele clima de calma e conforto que somente camadas de teclados conseguem fazer.
"Oceania" é um disco iluminado, de muita espiritualidade e cheio de mensagens -algumas explicitas, outras nem tanto- , criado por um músico genial que hoje em dia tem a liberdade de fazer o que quiser. Não digo liberdade apenas artística perante mercado, isso ele sempre teve, mas sim liberdade sobre sua banda, seu público e sobre seu pensamento.
Por enquanto, a cereja do bolo "Teargarden By Kaleydoscope", e pra mim, o disco do ano.
Enviado por Wladimyr Cruz em 19/06/2012 (Terça-feira), 09:58






















