O Cólera foi uma das primeiras bandas de punk rock do Brasil. Surgiu na periferia de São Paulo em 1979, quando essa "coisa nova" ainda vivia sua fase embrionária por aqui. Antes de lançar seu debut album, Tente Mudar o Amanhã (1986), o grupo já havia dividido um split com o Ratos (em 85) e participado de duas coletâneas essenciais para a história do punk latino-americano: a Grito Suburbano, de 82 - primeiro álbum do gênero a ser produzido em nossas terras, e a SUB, orquestrada pelo próprio guitarrista/vocalista Redson, no comando de seu selo Estúdios Vermelhos. Ambos os registros são obrigatórios, repletos de agressividade, sinceridade e, porque não, brasilidade, afinal, as reflexões priorizavam a realidade sócio-econômica de nosso país de terceiro mundo.
A verdade é que Tente Mudar o Amanhã tornou-se uma espécie de referência básica. Redson Pozzi, o mentor da banda, ao lado do irmão Pierre (bateria) e do amigo Val (baixo), gravaram juntos este que é considerado por muitos o maior clássico do Cólera. O Brasil vivia um momento estranho, de ressaca pós-ditadura, e os jovens daquela geração estavam confusos, cheios de dúvidas. Não à toa, o play ajudou a formar muitas cabeças questionadoras, não só pela época em que foi lançado, mas principalmente pelo valor das letras, que induziram (e ainda induzem) a molecada a sair da inércia.
Sempre com uma constante preocupação em abordar temas politicamente relevantes, o Cólera, aqui, mostra uma face mais raivosa, com uma lírica ainda próxima da de outras bandas da primeira geração punk paulista, mas menos misantropa ou ranzinza. Fala sobre repressão policial, não-alienação, o direito do indivíduo de agir livremente, o preço das guerras, e além. O som pegado, intenso, de poucos acordes retumbantes, remete ao Discharge de 'Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing (1982)', principalmente nas faixas "Marcha" e "Duas Ogivas". "Onde está suas mãos? Está no seu bolso! Você não sabe agir". A filosofia otimista de crer no poder de mudança inerente a cada indivíduo - principal característica do trabalho do conjunto e tônica dos álbuns subsequentes - marca presença desde então, a começar pelo título. A influência fundamental de Clash também já é sentida, através das melodias vocais bem trabalhadas, revoltadas e altamente cantáveis.
Originalmente lançado pelo selo Ataque Frontal, Tente Mudar o Amanhã é o que é: um desabafo, um registro simples e cru da indignação, com aquela sonoridade rudimentar, tosca e suja característica dos primeiros álbuns assinados pelos paladinos do punk brasilis. É um marco histórico, fruto do suor de quem não se intimidou diante das escassas possiblidades e deu um soco certeiro (e musical, logo não-violento) na boca do estômago da ignorância. Não deixe de prestar atenção nas foderosas "Nabro 3", "Marcha", "Agir", "Palpebrite", "Duas Ogivas", "Amnésia" e "Em Você". Fazem parte do espólio do nosso punk rock, jovem!
A verdade é que Tente Mudar o Amanhã tornou-se uma espécie de referência básica. Redson Pozzi, o mentor da banda, ao lado do irmão Pierre (bateria) e do amigo Val (baixo), gravaram juntos este que é considerado por muitos o maior clássico do Cólera. O Brasil vivia um momento estranho, de ressaca pós-ditadura, e os jovens daquela geração estavam confusos, cheios de dúvidas. Não à toa, o play ajudou a formar muitas cabeças questionadoras, não só pela época em que foi lançado, mas principalmente pelo valor das letras, que induziram (e ainda induzem) a molecada a sair da inércia.
Sempre com uma constante preocupação em abordar temas politicamente relevantes, o Cólera, aqui, mostra uma face mais raivosa, com uma lírica ainda próxima da de outras bandas da primeira geração punk paulista, mas menos misantropa ou ranzinza. Fala sobre repressão policial, não-alienação, o direito do indivíduo de agir livremente, o preço das guerras, e além. O som pegado, intenso, de poucos acordes retumbantes, remete ao Discharge de 'Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing (1982)', principalmente nas faixas "Marcha" e "Duas Ogivas". "Onde está suas mãos? Está no seu bolso! Você não sabe agir". A filosofia otimista de crer no poder de mudança inerente a cada indivíduo - principal característica do trabalho do conjunto e tônica dos álbuns subsequentes - marca presença desde então, a começar pelo título. A influência fundamental de Clash também já é sentida, através das melodias vocais bem trabalhadas, revoltadas e altamente cantáveis.
Originalmente lançado pelo selo Ataque Frontal, Tente Mudar o Amanhã é o que é: um desabafo, um registro simples e cru da indignação, com aquela sonoridade rudimentar, tosca e suja característica dos primeiros álbuns assinados pelos paladinos do punk brasilis. É um marco histórico, fruto do suor de quem não se intimidou diante das escassas possiblidades e deu um soco certeiro (e musical, logo não-violento) na boca do estômago da ignorância. Não deixe de prestar atenção nas foderosas "Nabro 3", "Marcha", "Agir", "Palpebrite", "Duas Ogivas", "Amnésia" e "Em Você". Fazem parte do espólio do nosso punk rock, jovem!
Enviado por André Honey em 11/07/2012 (Quarta-feira), 15:44























