Vivo com sensação de nostalgia, me perguntando para onde foram a crueza e simplicidade do som tocado pelos pioneiros do punk rock nos anos 60 (isso mesmo) e 70. Assim, não é surpresa que os Black Lips tenham me arrebatado de primeira. Despretensiosos, estrearam com um álbum homônimo em 2003, no qual nos saúdam com guitarradas mal distorcidas - enferrujadas - em progressões de acordes que remetem a outros idos, tudo num clima lo-fi, singelo e de veneração ao bom e velho rocknroll. Quando o disco foi lançado, a média de idade dos integrantes era de 20 anos. Mas no som eles mentem a idade, e bem. Parecem mais velhos do que são utilizando unidades de efeito antigas, tirando fuzztones mofados que você não vai conseguir no seu Big Muff novo. É garage punk revival sem cara de século XXI.
O rótulo atribuído a eles por eles mesmos, "flower punk", é bastante didático no sentido de explicar o som da banda: o fruto ilegítimo de uma foda entre o espírito hipponga psicodélico sessentista, com décadas de bagagem punk rocker. É o que se ouve desde a dobradinha de abertura, Throw It Away e Freak Out: enquanto uma guitarra faz a base, a outra enfeita com riffs 'vintage'. Apoiando-se em outro estilo de raiz, o misterioso blues Stone Cold rasga um slide guitar lisérgico e agonizante de fazer a cabeça. Em Down and Out, os vocais feios e cômicos de Cole Alexander demonstram a feição cartunesca que permeia toda a obra do grupo. Apesar de parecer um bêbado sem aptidão para cantar, ele tem pleno controle de seus tons mais dantescos, mas neste debut soa um pouco exagerado. Nada que comprometa. Um pouco mais adiante, o delta blues tosco de Can't Get Me Down mostra que os Lips são uma orgia de referências e homenagens. Nas letras, valem-se de fragmentos de chavões históricos do rock num tom de celebração e, porque não, de deboche.
Os takes de licks imperfeitos e o aspecto de gravação barata não interferem na qualidade do registro, pelo contrário: são antes para serem celebrados do que criticados. Aqui nos primórdios, o Black Lips soa tosco como nunca. Em nossos tempos, investir num rock básico, sem afetação, é mais do que louvável.
Ben Ederbaugh, guitarrista da formação original, participou do álbum, mas morreu precocemente antes mesmo de seu lançamento, num acidente de carro.
O rótulo atribuído a eles por eles mesmos, "flower punk", é bastante didático no sentido de explicar o som da banda: o fruto ilegítimo de uma foda entre o espírito hipponga psicodélico sessentista, com décadas de bagagem punk rocker. É o que se ouve desde a dobradinha de abertura, Throw It Away e Freak Out: enquanto uma guitarra faz a base, a outra enfeita com riffs 'vintage'. Apoiando-se em outro estilo de raiz, o misterioso blues Stone Cold rasga um slide guitar lisérgico e agonizante de fazer a cabeça. Em Down and Out, os vocais feios e cômicos de Cole Alexander demonstram a feição cartunesca que permeia toda a obra do grupo. Apesar de parecer um bêbado sem aptidão para cantar, ele tem pleno controle de seus tons mais dantescos, mas neste debut soa um pouco exagerado. Nada que comprometa. Um pouco mais adiante, o delta blues tosco de Can't Get Me Down mostra que os Lips são uma orgia de referências e homenagens. Nas letras, valem-se de fragmentos de chavões históricos do rock num tom de celebração e, porque não, de deboche.
Os takes de licks imperfeitos e o aspecto de gravação barata não interferem na qualidade do registro, pelo contrário: são antes para serem celebrados do que criticados. Aqui nos primórdios, o Black Lips soa tosco como nunca. Em nossos tempos, investir num rock básico, sem afetação, é mais do que louvável.
Ben Ederbaugh, guitarrista da formação original, participou do álbum, mas morreu precocemente antes mesmo de seu lançamento, num acidente de carro.
Enviado por André Carvalho em 25/07/2012 (Quarta-feira), 03:40
Outras resenhas deste artista:
- Black Lips - Let It Bloom (2005)
























