Evol - terceiro álbum de estúdio do Sonic Youth - marca a transformação daquele som disparatado e orgânico em alguma coisa mais roqueira e estruturada, soando polido e, de uma forma benéfica, um pouco menos experimental. Esta prudência faz parte da maturidade musical alcançada pelo grupo, que aprendeu a dosar suas dissonâncias na medida certa, encontrando em Evol ("Love" soletrado ao contrário) a primeira obra de amplo impacto em sua discografia.
A admissão de Steve Shelley (ex-Crucifucks), um ótimo baterista oriundo da cena hardcore/punk, deu poder à seção rítmica e originou uma das formações mais clássicas da banda. Ranaldo e Moore, por sua vez, fizeram bom usufruto das afinações bizarras que escolheram, principalmente nos complexos interlúdios - que dão clima e congruência às faixas. Com seus reverbs distantes e estridências loucas, fazem jus à concidadania e vital influência da cena no wave.
O primeiro acorde de guitarra já soa inédito, antagonicamente belo e disforme, e o ritmo hipnótico em "Tom Violence" anuncia um disco de hábitos noturnos. "Shadow of a Doubt" segue como um murmúrio distante e sonâmbulo ao pé do ouvido, em letra baseada num thriller de Hitchcock. "Star Power", single da vez, é um hit guiado pela voz lasciva de Kim Gordon, responsável por uma performance bastante sexy em Evol. O badalar dissonante das cordas estabelece a viagem onírica em "Green Light", um pop esquizofrênico lindamente cantado por Thurston. "Secret Girl" e "Marilyn Moore" (co-escrita por Lydia Lunch) são sons cinematográficos que sugerem caminhos incógnitos e paisagens de cores estranhas, reforçados pela lírica surreal, introspectiva e sombria. "Expressway To Yr Skull" - a mais longa do álbum - tem uma melodia vocal pegajosa e um interlúdio cheio de referências a música erudita e avant-garde. Nela, a banda conseguiu transitar entre partes intensas e hipnóticas com admirável naturalidade, de maneira persuasiva.
Evol tem cara de sonho, ou de um 'film noir' esquisito ambientado na calada da noite, em ruas novaiorquinas blindadas por um denso nevoeiro. Além de ser pilar para o que quer que venha a ser chamado de noise rock, antecipou algumas das tendências do pós-rock, experimentando, de um jeito consciente, texturas sônicas que às vezes nem parecem criadas a partir da guitarra. Lançado com ousadia pela SST - que até então, era um selo voltado para bandas de hardcore - o álbum também serviu como uma injeção de ânimo para Mike Watt, que recentemente havia perdido D. Boon, seu amigo e fiel parceiro de Minutemen. Ele cita sua participação especial neste disco como um dos fatores determinantes para ter continuado na música.
A admissão de Steve Shelley (ex-Crucifucks), um ótimo baterista oriundo da cena hardcore/punk, deu poder à seção rítmica e originou uma das formações mais clássicas da banda. Ranaldo e Moore, por sua vez, fizeram bom usufruto das afinações bizarras que escolheram, principalmente nos complexos interlúdios - que dão clima e congruência às faixas. Com seus reverbs distantes e estridências loucas, fazem jus à concidadania e vital influência da cena no wave.
O primeiro acorde de guitarra já soa inédito, antagonicamente belo e disforme, e o ritmo hipnótico em "Tom Violence" anuncia um disco de hábitos noturnos. "Shadow of a Doubt" segue como um murmúrio distante e sonâmbulo ao pé do ouvido, em letra baseada num thriller de Hitchcock. "Star Power", single da vez, é um hit guiado pela voz lasciva de Kim Gordon, responsável por uma performance bastante sexy em Evol. O badalar dissonante das cordas estabelece a viagem onírica em "Green Light", um pop esquizofrênico lindamente cantado por Thurston. "Secret Girl" e "Marilyn Moore" (co-escrita por Lydia Lunch) são sons cinematográficos que sugerem caminhos incógnitos e paisagens de cores estranhas, reforçados pela lírica surreal, introspectiva e sombria. "Expressway To Yr Skull" - a mais longa do álbum - tem uma melodia vocal pegajosa e um interlúdio cheio de referências a música erudita e avant-garde. Nela, a banda conseguiu transitar entre partes intensas e hipnóticas com admirável naturalidade, de maneira persuasiva.
Evol tem cara de sonho, ou de um 'film noir' esquisito ambientado na calada da noite, em ruas novaiorquinas blindadas por um denso nevoeiro. Além de ser pilar para o que quer que venha a ser chamado de noise rock, antecipou algumas das tendências do pós-rock, experimentando, de um jeito consciente, texturas sônicas que às vezes nem parecem criadas a partir da guitarra. Lançado com ousadia pela SST - que até então, era um selo voltado para bandas de hardcore - o álbum também serviu como uma injeção de ânimo para Mike Watt, que recentemente havia perdido D. Boon, seu amigo e fiel parceiro de Minutemen. Ele cita sua participação especial neste disco como um dos fatores determinantes para ter continuado na música.
Enviado por André Carvalho em 16/08/2012 (Quinta-feira), 07:33
Outras resenhas deste artista:
- Sonic Youth - Sonic Youth EP (1982)
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